7 º encontro da A Moda Pela Água

16 de Dezembro de 2019

Foi em clima festivo que aconteceu o 7º Encontro das empresas Guardiãs da Moda Pela Água, no dia 04/12/2019, na Casa Casulo em São Paulo.
 
O evento AMPA DE PORTAS ABERTAS de fato abriu as portas para mais de 35 convidados e, ao mesmo tempo, abriu janelas para novos patamares da consciência ambiental. Entre os convidados, recebemos colegas de diversos elos da cadeia, como produtores de algodão, lavanderias, e organizações.
 
Primeiro palestrante do dia: Angelo Lima - Secretário executivo do Observatório das Águas
 
"A questão da sustentabilidade hoje em dia não é mais apenas sobre as
conformidades."
 
Angelo apontou como uma perspectiva positiva ou "a única maneira de lidar com a complexa questão da água" são os COMITÊS DE BACIAS. Hoje, o Brasil conta com 233 Comitês e um contingente de 10 a 12 mil pessoas trabalhando com o tema, sendo que 49% da população encontra-se incluída nesse sistema de Comitês. 
 
Quanto a iniciativa privada, faz as seguintes considerações: "É preciso trabalhar para além dos muros da empresa, no sentido da ação coletiva."
 
Angelo citou a PEGADA HÍDRICA VICUNHA e o conceito de WATER STEWARDSHIP como boas ferramentas para lidar com a questão e ainda, algumas macrotendências para os próximos anos:
 
• Mais do que nunca é preciso um estado forte somado a uma sociedade forte;
• Uma educação política baseada na frase Hannah Arendt:"Alguém educado para fazer a política e não que a política se faça nela.";
• Pensar em termos de um ecossistema aquático e não apenas para uso
humano;
• Programas com metas e indicadores para favorecer o acompanhamento
• Plano de segurança hídrica;
• Recuperação da INFRAESTRUTURA VERDE, ou seja, desenhar um mosaico de programas e ações para o aumento, a recuperação e a conservação das áreas verdes.
 
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Segunda palestrante do dia: Fernanda Arimura - Head of Engagement and Communications ONU Pacto Global
 
A profissional da ONU começou sua palestra falando que a moda é um dos setores mais relevantes para o avanço dos ODS e que possui uma capacidade enorme de espalhar a mensagem do pacto ambiental.
 
"A força superpoderosa e positiva das corporações e setor privado, que
reunidos, representam a maior iniciativa do mundo, ultrapassando estados e países."
 
Fernanda, em seguida, apresentou os 10 princípios do Pacto Global e avisou que "Esses valores são aliados dos negócios e não um ônus. Que eles podem e devem ser praticados por meio das atividades principais de cada companhia, por meio do negócio."
 
Ainda sobre o poder das empresas, a profissional destacou: 
 
1) "As empresas têm o poder de influenciar colaboradores, consumidores, cadeia de fornecedores e poderes públicos."
 
 
2) "A área de sustentabilidade não pode estar restrita a área de sustentabilidade, tem que permear toda a operação."
 
3) "A sustentabilidade gera competitividade, que gera longevidade."
 
Fernanda citou também o conceito de sociedade VICA em que vivemos:
"Volátil, incerta, ambígua e complexa." e que os ODS "Ajudam a encontrar um caminho".
 
A especialista da ONU encerrou divulgando resultados da campanha #Aceitaestacaneta que convida empresas de todos os setores a
contribuírem com o Pacto Global de modo que a temperatura da Terra não ultrapasse
 
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Terceiro palestrante do dia: Claudio Bicudo - CEO da H2OCompany
 
"O desmatamento da Amazônia diminui a quantidade de chuvas na metrópole."
 
Claudio Bicudo, CEO da consultoria H2O Company, explicou a metodologia da Pegada Hídrica Vicunha, a partir do método holandês "Water Footprint", dividida em três tipos de pegadas:
 
Pegada Azul: Mede o volume das águas de rios, lagos e lençóis freáticos, usualmente utilizadas na irrigação, processamentos diversos, lavagens e refrigeração.
 
Pegada Verde: Se relaciona à água das chuvas, necessária principalmente para o plantio do algodão.
 
Pegada Cinza: Mede o volume necessário para diluição de um determinado poluente até que a água em que este efluente foi misturado retorne a condições aceitáveis, de acordo com padrões de qualidade estabelecidos.
 
"Um fato muito positivo é que apenas 8% do algodão brasileiro é irrigado."
Claudio finalizou dizendo que atitudes como upcycling e reuso são ações de impacto positivo e que quanto mais as empresas e a mídia de modo geral investirem na educação do consumidor - que pode e deve lavar com menos frequências todas as suas roupas, em especial a calça jeans - sentiremos os bons impactos.
 
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Fórum final com representantes das empresas Guardiãs da Moda Pela Água
 
O painel com as Guardiãs da Água na Moda contou com a participação da Renata Guarniero, Gerente de Marketing da Vicunha, e de Andrea Fernandes, Gerente de Inteligência de Mercado e Marketing. Confira as principais falas de cada empresa: 
 
VICUNHA/Renata Guarniero – Gerente de Marketing: Renata contou que a preocupação com a escassez da água sempre foi um tema fundamental dentro da Vicunha, uma vez que a empresa possui unidades fabris no Nordeste, onde essa questão é crucial. Disse ainda que a Vicunha buscava um parâmetro para se auto comparar e ter uma ferramenta de gestão contínua - hoje possível devido ao projeto Pegada Hídrica Vicunha. 
 
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VICUNHA/Andrea Fernandes Martins – Gerente de Inteligência de Mercado e Marketing: destacou a importância da união cada vez mais ampla do setor em busca de resultados significativos na questão da sustentabilidade e da gestão hídrica.
 
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ABRAPA/Manami Kawaguchi Torres – Consultora Movimento Sou de Algodão: A profissional se pronunciou a respeito das dificuldades que a Sou de Algodão encontra para comunicar informações importantes, porém tão complexas para o consumidor. Mas, entende o poder que a moda tem de difundir a mensagem da sustentabilidade. Poder e compromisso.
 
FARM/ Pedro Horta – Coordenador de Sustentabilidade: Pedro contou que
começaram o projeto do jeans RE-FARM há um ano atrás e que a ideia é se aprofundar na cadeia de todos os produtos.
 
DAMYLLER/Jordana Damiani - Gerente de Marketing: A empresa entende que já tem a lição de casa bem-feita, em se tratando de uso consciente do recurso hídrico e levanta o ponto da longevidade das peças, dizendo que a Damyller está comprometida com a qualidade e durabilidade, o que já é uma atitude sustentável. Jordana reconhece, porém que, ainda existe dificuldade para unir design com sustentabilidade.
 
MARISA/Carla D Bello – Conformidade de Fornecedores e Glaucia Santos – Líder de Conformidade, Gestão de Fornecedores e Sustentabilidade: Sentem dificuldade de se comunicar com público interno e cadeia de fornecedores, que são ambos numerosos: 12 mil colaboradores e mais de 1500 fornecedores, sem falar no grande contingente de consumidores que a rede possui. Resultado de tudo isso é que hoje a Marisa conta com um comitê de sustentabilidade, e lançou a primeira coleção sustentável da marca, com tecido eco da Vicunha.
 
ABIT/Luiza Lorenzetti – da área de Sustentabilidade e Inovação: A profissional destacou que, com mais de 60 anos de atuação, a ABIT sente a necessidade de revisar diversos processos e pontos de vista. Tais como: ficar com olhar atento para pequenas e médias empresas e para dentro de todo o setor, não apenas confecções.
 
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